Especial Marvel (Parte 02/28) – Os Primeiros Passos

O início e o caminho tortuoso da “Casa das Ideias” no cinema (décadas de 70 e 80)

A história da Marvel, por si só, já daria um baita filme. Os anos 80 mal haviam começado quando Stan Lee, isso mesmo, o nosso Stan Lee, saiu dos escritórios da Marvel em Nova York e rumou à ensolarada Califórnia, para tentar realizar um sonho: o de fazer filmes daqueles personagens que já eram um enorme sucesso nos Quadrinhos. Mas a história não começa ai, ela começa muito antes de Stan Lee desembarcar na Califórnia com seus óculos de sol e calção de banho.

Os planos de levar os heróis da Marvel para o cinema não eram novos, desde que foram criados (década de 40-50) sempre se flertou com o desejo de adaptar e explorar comercialmente esses personagens, mas o estigma negativo sobre os quadrinhos, os efeitos especiais caros e precários e a dominância da DC Comics sobre o mercado e popularidade, afastaram por muito tempo esse sonho. 

O primeiro produto audiovisual vindo da Marvel (que ainda se chamava Timely Comics) foi um filme seriado do Capitão América em 1944 , que nada mais é que um filme dividido em uma série de curtas-metragens que são exibidos antes dos filmes nas sessões de cinema.

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Capitão America 1944

Esse Caputão diferenciado não usava o habitual escudo, nem possuía as amarras morais que os heróis dos quadrinhos já começavam a desenvolver. Mas tinha uma pistola e resolvia na base da azeitona. O filme deve ter sido aquela maravilha, pois a Marvel só se meteria com cinema 33 anos depois…

Muita coisa aconteceu entre a primeira tentativa (1944) e o segundo filme da Marvel (1977). A editora sobreviveu ao declínio dos gibis de super-heróis após o final da Segunda Guerra Mundial, sobreviveu as fracas vendas e censura dos quadrinhos nos anos 50, se reergueu e revolucionou nos anos 60, criando seus personagens mais populares e já com o nome “Marvel”. Além disso, a temática de super-heróis se tonou um pouco mais viável comercialmente/tecnicamente e o sucesso do seriado do Batman de 66 para a TV chamou a atenção dos produtores para o subgênero. 

Fora alguns curtas do Homem-Aranha para um programa infantil chamado The Electric Company, entre 1974 e 1975, os primeiros personagens a ganharem suas versões live action foram o Hulk em 1977 e o Homem-Aranha, também em 77. Seguidos do Dr.Estranho em 1978 e mais um do Capitão América em 1979. Todos se tratavam de telefilmes, que serviam para medir a recepção do publico a respeito de seriados desses personagens.

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O Incrível Hulk 1977, Homem Aranha 1977, Dr.Estranho 1978 e Capitão América 1979

Dessas, a única produção que se destacou foi O Incrível Hulk, interpretado por Lou Ferrigno que acabou ganhando uma série para a TV (1978 – 1982) e mais alguns filmes também para a TV (88, 89 e 90). Aqui o sonho de um universo compartilhado já existia. Diversos personagens como Homem de Ferro, Thor e Demolidor, fizeram aparições no seriado e nos filmes do Hulk. 

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Thor, Homem de Ferro e Demolidor fizeram participações no seriado e nos filmes do Hulk entre 1978 e 1990

Então voltamos aos anos 80, na chegada de Stan Lee para Califórnia para cuidar da propriedade intelectual da Marvel e já como o rosto que representava a editora. O que não deve der ajudado em muita coisa, já que essa década também não foi muito fácil. Enquanto a DC enchia o rego de dinheiro com as sequencias do Superman de 1978, e mais tarde com o Batman em 89, a Marvel patinava com as produtoras fazendo produtos genéricos com seus personagens. Até então, apenas conteúdos para a TV haviam sido produzidos e apenas o Incrível Hulk era um case de sucesso.

Mas em 1986, o primeiro Longa-Metragem da Marvel era lançado. Só é meio triste que tenha sido o infame Howard, o Pato produzido por George Lucas. A produção é considerada um dos piores filmes já feitos e caiu como uma bomba nas costas da Marvel. Só em 1989 outro personagem da Marvel ganharia uma chance.

O Justiceiro,
 protagonizado por Dolph Lundgren, tinha tudo para dar certo. O Ator era um nome de destaque na época. Mas o orçamento baixíssimo e a falta de conexão com o personagem dos quadrinhos, fizeram desse apenas mais um filme qualquer de ação dos anos 80. 

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Howard, o Pato 1986 e O Justiceiro 1989

E então vieram os anos 90, a humanidade não saiu impune e a Marvel, muito menos. 

Uma falência eminente, vendas de direitos de personagens e produções grotescas para o cinema e TV, todas essas coisas geraram consequências que interferem e afetam os filmes e séries da Marvel até hoje. Mas esse é um assunto extenso, complexo e para outro post.
Será a parte 3 do Especial Marvel, onde discutiremos os anos 90 e 2000, até o momento em que culminou no famigerado MCU (Marvel Cinematic Universe). 

E para quem quer se aprofundar nos primórdios da Marvel no Cinema, vou deixar o link do blog falange.net, onde um bando de malucos assistiu e analisou cada uma dessas produções desde Capitão América de 1944. Guerreiros. 

E a Parte 3 do Especial Marvel (03/28) quando sair…
Onde falo da Marvel na década de 90 e começo dos anos 2000

E a Parte 1 do Especial Marvel (01/28)
Onde falei do significado e importância dessa franquia 


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