Capitão América: O Primeiro Vingador — O que poderia ter sido

Um filme de época para nos contar a origem do herói patriota dos anos 40 e a última peça para a formação dos Vingadores.

Captain America: The First Avenger
Joe Johnston
Marvel Studios, Julho de 2011

Já virou um cliché eu vir aqui e dizer que tal filme foi um enorme desafio para a Marvel. Em Capitão América: O Primeiro Vingador, o quinto filme deste universo integrado, não foi diferente. O Maior desafio aqui era incluir um herói da Segunda Guerra na realidade atual, onde se encontravam Homem de Ferro, Hulk e Thor. A Marvel poderia simplesmente dar um reboot no personagem e mudar todo o contexto de sua origem. Mas, eles pensaram em algo um pouco mais audacioso: Um filme de época.

Capitão América se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mais especificamente nos fervorosos Anos 40. Os conflitos e a corrida armamentista contra os nazistas estavam no auge, a Europa devastada, e na América, um clima de patriotismo que só a entrada dos EUA na guerra poderia causar.

É nesse contexto que conhecemos Steve Rogers (Chris Evans), o orfão tripa seca do Brooklyn com vontade de ir à guerra. Rogers, após varias tentativas, consegue entrar para o exército e provar seu valor. Ele é selecionado como cobaia em um programa de desenvolvimento de armas humanas, se tornando um Supersoldado.  Mas, ao invés de ser enviado aos campos de batalha, Rogers recebe o título de Capitão América e se torna uma grande propaganda.

A transformação do primeiro supersoldado em propaganda de guerra é um dos acertos do filme e uma belíssima homenagem aos quadrinhos. Aquelas cômicas cenas em que o Capitão nocauteia Hitler, já estamparam muitas capas das histórias do personagem. Assim como no filme, o Capitão foi por muito tempo um mascote para os EUA, e suas aventuras distribuídas para os soldados no front.

Captain America: The First Avenger

O capetão é personagem que mais cresceu nesses dez anos de Marvel no cinema. Passou de propaganda de guerra, ao soldado lendário que se sacrificou por sua nação. E 70 anos depois, liderou os Vingadores contra invasores alienígenas, deixou de ser o Escoteiro da América, se tornou um herói insubordinado, caiu na porrada com Tony Stark e se tornou um rebelde procurado mundialmente. Rogers demonstra um instinto de liderança, coragem e heroísmo, e antes mesmo se tornar um supersoldado, sabemos que ele é capaz de lutar até o fim pelo que acredita ser correto. Mas, o que realmente levou aquele garoto fraco e debilitado à guerra? O que o motivou a se entregar como cobaia em um experimento eticamente duvidoso? Por mais que Steve Rogers diga, não foi o patriotismo. Analisando o filme, notamos que existe um tom de cinza no personagem e que seria desenvolvido nos próximos filmes. A infância difícil em plena Grande Depressão, a falta dos pais e a falta de amigos, fizeram dele um cara independente e com uma enorme necessidade de se provar a qualquer custo e a guerra, foi a maneira que encontrou para isto.

A origem do caputão e a personalidade de Steve Rogers não são as únicas coisas a serem desenvolvidas neste filme. Vemos os primórdios da S.H.I.E.L.D; conhecemos o lendário Howard Stark (Dominic Cooper) e alguns de seus inventos. E somos hipnotizados pela presença da maravilhosa Peggy Carter (Hayley Atwell). Vemos rapidamente o Comando Selvagem — grupo formado pelo Capitão e que reunia soldados de diversas nacionalidades — e que foram desperdiçados pelo filme. Também somos apresentados brevemente ao sargento Bucky Barnes (Sebastian Stan) um dos poucos amigos do Capitão e uma peça fundamental para a história de Steve Rogers.

Mas nem tudo são flores, e seguindo o que se tornaria uma tradição dentro da Marvel, temos mais um vilão medíocre e esquecível. O Caveira Vermelha, vivido por Hugo Weaving, não consegue transmitir o peso e provocar o medo que um maniaco nazista transmitiria.  Uma pena, já que esse é o maior inimigo do Capitão nas HQs e aqui foi desperdiçado no cinema. Já o surgimento da organização Hydra nos bastidores do nazismo, acaba sendo um ponto mais interessante, mas que só seria explorado nos próximos filmes.

Capitão América possui uma ação contida e modesta, mas as cenas em slow motion do escudo sendo arremessado, ainda fazem qualquer fã de quadrinhos se empolgar. Já o uniforme do Capitão, gerou muitas polêmicas por se distanciar das HQs. O traje mistura a fantasia colorida com acessórios militares, na tentativa de se aproximar da realidade. Ao meu ver, esse ainda é o melhor uniforme do puto nos cinemas.

A Marvel ainda tinha mais um desafio pela frente: Como vender mundialmente, um filme com a América no nome e com o protagonista vestindo a bandeira dos EUA? Em muitos países foi lançado apenas como: O Primeiro Vingador.  O filme não ficou no prejuízo e foi bem recebido pela críticas, apesar dos fãs não terem gostado tanto assim.

Assim como Thor, Capitão América cumpre sua função ao apresentar os personagens, enriquecer o universo Marvel e nos preparar para os Vingadores. Porém o filme tem muitos elementos desperdiçados e foi uma chance que a Marvel perdeu de fazer um filme pesado, mostrando os conflitos, o calor das batalhas e utilizado os nazistas como os vilões assustadores que eles eram. Capitão América poderia ter sido um filme épico de guerra, poderia ter sido um Bastardos Inglórios ou o Resgate do Soldado Ryan com super herói. Ao invés disso, escolheu ser um filme da sessão da tarde, com ritmo lento e cara de filme dos anos 90, que apesar de ser um bom filme, passou longe de ser inesquecível.

Cena Pós Créditos: É hora do Pau!

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Não consegue dormir Capitão?

Nick Fury convoca o Capitão, nessa cena que na verdade é um teaser dos Vingadores.
A reação de todos ao ver essa cena foi um só:  — CARAI, OS CARA VÃO FAZER MESMO!

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