Homem de Ferro, o primogênito do MCU

Quando ninguém queria arriscar muito com o cinema de herói, a Marvel arriscou tudo.

Iron Man
Jon Favreau
Marvel Studios, Maio de 2008

Os filmes de heróis nunca foram os mais prestigiados do cinema, e se ainda hoje a crítica e a academia torcem o nariz para esse subgênero, imagine em 2008 onde tudo o que tínhamos eram atrocidades como Demolidor, Elektra, Quarteto Fantástico e os Batmans com mamilos dos anos 90. Existiam exceções, é claro. Os primeiros X-Men dirigidos por Bryan Singer, os dois primeiros Homem Aranha de Sam Raimi e Batman Begins do Nolan em 2005, provaram que era possível fazer bons filmes e muito dinheiro com esses adultos fantasiados que combatem o crime. Mas de um modo geral os heróis estavam fadados a mediocridade.

Então veio 2008, um ano decisivo para os heróis. Enquanto as expectativas estavam direcionadas ao excelente Batman: O Cavaleiro da Trevas, que sairia naquele ano, a Marvel dava um tiro no escuro e surpreendia a todos. Quando ninguém queria arriscar muito com esse tipo de filme, a Marvel arriscou tudo!

Tony Stark, O Homem de Ferro não era lá um personagem muito conhecido para o publico em geral (muitos achavam que era um robô) mas era um dos poucos que a editora havia recuperado os direitos de filmagem. Então quando a Marvel Studios pegou um dinheirinho emprestado, decidiu que iria comandar seus próprios filmes e anunciou que esse seria o pontapé inicial de um projeto maior, ninguém botou muita fé. E ainda mais quando escalaram um diretor independente, sem muita experiência e Robert Downey Jr. um ator problemático para protagonizar o filme.

Faltava dinheiro, credibilidade e precedentes quando Tony Stark entrou em cena ao som de Back in Black e calou à todos. O Homem de Ferro foi um sucesso e conseguiu agradar os fãs dos quadrinhos, o público geral e até mesmo a famigerada crítica. E ainda se mantém como um dos melhores filmes da franquia.

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Jon Favreau dirigiu um filme onde os personagens estão acima do enredo e da ação. Tony Stark, o gênio, bilionário, playboy e filantropo com personalidade excêntrica, meio cafajeste e um carisma inexplicável é tão interessante quanto o Homem de Ferro e sua armadura blindada, explodindo tanques, mísseis e terroristas. Grande parte do mérito é de Downey Jr., que em uma atuação espetacular e histórico de vida, faz parecer que o Tony Stark foi escrito pra ele. Foi sua atuação que transformou esse personagem desconhecido no herói preferido de muita gente.

As interações do filme são mais um ponto para o time de atores e para a direção de Jon Favreau. O romance entre Tony e Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) e a amizade com o coronel James Rhodes (Terrence Howard) são alguns dos melhores momentos do filme, gerando algumas das cenas e diálogos mais interessantes de toda a franquia.

Quanto ao Monge de Ferro, vivido por Jeff Bridges, apesar de ótima atuação, ainda é um vilão de quadrinhos. Ou seja, uma desculpa pro herói cair na porrada com alguém equivalente. Não se trata de um vilão inesquecível, mas entrega o combinado e não deixa a desejar (e vamos combinar que vilão nunca foi o forte da Marvel).

Mesmo com cenas de ação relativamente simples e uma luta final pouco emocionante, é impagável ver Tony Stark testando seus brinquedos ao som de AC/DC. A mistura de computação gráfica e efeitos práticos dão uma certa veracidade no combate e na mecânica que poucos filmes conseguiram repetir, inclusive os filmes seguintes da Marvel. As cenas em que a amradura está sendo projetada e testada, demonstram a genialidade e intimidade que o personagem tem com a tecnologia.

Iron Man me fascinou quando eu tinha 12 anos de idade e, ao rever pra essa maratona Marvel, me encantou mais ainda. Não é só o primeiro filme, como também é o responsável por definir todo o tom do Marvel Cinematic Universe (MCU). É um filme empolgante, engraçado e simples que manteve o espírito dos quadrinhos e focou na personalidade do herói. No final, além de abandonar o conceito de identidade secreta e definir a politica dentro do universo Marvel, Tony Stark encerra o filme com a frase mais importante pra essa década de heróis: “— Eu sou o Homem de Ferro!”

Cena Pós-Créditos: Tony Stark conhece Nick Fury

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Acha que é o único super herói do mundo? Sr. Stark, faz parte de um universo maior, só não sabe disso ainda.

A Marvel não criou as cenas pós-créditos, mas foi a responsável por popularizar esse recurso que hoje ultrapassa até os filmes de herói. A de Homem de Ferro explodiu cabeças. Não era só um chamariz para os próximos filmes ou uma referência vazia como as cenas de hoje. Era a prova para os fãs de aquilo que foi prometido ia rolar.  Aguentem, ainda tenho muito o que falar dessas cenas nos próximos posts.

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