Liga da Justiça

Pra tirar o gosto amargo de um universo cinematográfico ruim.

Liga da Justiça 2001 – 2003 (2 Temporadas)
Liga da Justiça Sem Limites 2004 – 2006 (2 Temporadas)
Cartoon Network 
Bruce Timm e Paul Dini

Nesse meu hiato sem escrever, colocar as séries em dia ou assistir alguns dos 82 filmes da minha lista, eu redescobri meu amor pela DC. Mas não foi por conta dos quadrinhos, que de vez em quando nos presenteiam com algo realmente memorável, ou os excelentes longas animados e muito menos esses filmes vagabundos que vimos nos últimos anos. Foi aquele desenho maroto, aquele desenho moleque que víamos toda manhã no SBT antes de ir pra escola. E agora, reassistindo quase dez anos depois, posso afirmar: Não é nostalgismo barato!

Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites é uma daquelas animações, que assim como Avatar: A Lenda de Aang é muito mais que um desenho infanto juvenil. São obras de arte despretensiosas, maduras e que conseguem ultrapassar a linguagem e limitações do formato/classificação indicativa.

Liga da Justiça já começa com uma trama politica — bem atual em tempos de Trump, Kim Jong Un e Putin — onde os EUA é convencido a reduzir seu poder bélico graças a presença do Superman, que é visto como a grande arma Americana. Enquanto isso o Batman investiga uma possível invasão e encobertamento alienígena, quando encontra o Caçador de Marte que os alerta e reúne guerreiros que possam lutar pela Terra. É assim que temos, na minha nada humilde opinião, a melhor formação da Liga: Superman, Batman, Mulher Maravilha, Caçador de Marte, Flash, Mulher Gavião e Lanterna Verde (John Stewart, o melhor lanterna).

Depois da quadrilha formada, a animação segue com episódios procedurais, mas que culminam em tramas maiores a cada temporada. A animação adapta diversos arcos e eventos dos quadrinhos e também cria novas situações e histórias. O roteiro se mantem coerente as suas origens e a seu próprio universo, respeitando os personagens e os desenvolvendo.

Aqui vemos um Superman tentando se conter e que o tempo todo é confrontado com seu ego e sua imagem de escoteiro da America. A Mulher Maravilha, com duvidas entre sua vida de amazona e de heroína para mundo dos homens. Um Batman detetive, estrategista e desconfiado como tem que ser, tentando se provar entre seus companheiros superpoderosos. Além do ultimo marciano, que busca se encaixar na humanidade, um flash fanfarrão e inconsequente, Mulher Gavião misteriosa e porradeira e meu personagem favorito, John Stewart: um lanterna verde totalmente deslocado da tropa, um ex fuzileiro naval, desconfiado, marrento e arrogante.

A primeira fase foca nestes personagens, suas interações e a criação da Liga. Com aparições dos vilões e aliados clássicos e sempre com um bom tema de plano de fundo.

Liga da Justiça: Sem Limites

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E isso aqui não é nem metade do time!

Após se deparar com ameaças cada vez maiores a Liga resolve aumentar seu contingente, recrutando dezenas de superseres e vigilantes. É ai que essa porra desse desenho brilha e uma caralhada de personagens fodas (e outros nem tanto) da DC resolvem dar as caras (destaques para Questão e Arqueiro).

A cada episódio acompanhamos equipes e formações diferentes desses heróis e também notamos o quanto a crescimento da Liga afetou os membros fundadores. A todo momento surgem questionamentos do que é ser um herói e o conceito de heroísmo é colocado em cheque. Eles agora não lidam apenas com ameaças e inimigos, mas com seus egos e problemas criados pela própria existência da Liga da Justiça.

Nessa fase vemos o impacto que um grupo de vigilantes fantasiados causaria no mundo. Com uma torre de vigilância na órbita do planeta, recursos e um exercito de poder quase infinito nas mãos de um grupo independente, logo surgem os questionamentos, as intrigas e acusações. Um verdadeiro caos diplomático da o tom dessa temporada.

Liga da Justiça é um desenho “pra criança” com histórias memoráveis, com referencias e homenagens as HQs, boas lutas e personagens cativantes. É uma animação de heróis que entendeu que para ser relevante e madura não é preciso ter sangue e que não é só colocar algumas frases de efeito, referencias vazias e uma fotografia escura.

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