Divagações sobre a Cultura Pop

…ou pura implicância minha. 

Adivinha quem voltou? Sou eu abestado!
Achou que era Jesus né filha da puta?!

Talvez seja perceptível pela falta de postagens aqui no blog, mas nas ultimas semanas eu andei meio chateado com essa tal de cultura pop e a forma como repercutimos tudo isto. Eu tava meio jururu.

Mas veja bem, esse texto não é pra reclamar da qualidade das produções (ou do gosto duvidoso de vocês) até porque, estamos vivenciando uma era de quantidade, qualidade e diversidade jamais vista. Nos últimos anos tivemos a revolução do streaming, o ápice dos filmes baseados em quadrinhos e até a televisão tem se reinventado.

Além das produções e seus meios terem evoluído, a internet fez com que a cobertura disso tudo se tornasse cada vez mais detalhada, precisa e imediata. Agora — com o Youtube, as redes sociais, a valorização dos podcasts e textos — a cultura pop está presente 24 horas por dia em nossas vidas. Sabemos mais sobre os filmes que irão estrear nos próximos dois anos do que sobre as eleições que ocorrerão daqui a oito meses (eu não os culpo).

São anos dourados pra bater no peito e se afirmar como Nerd, Geek (ou qualquer um desses rótulos já desgastados). Mas com esse ritmo de informações, conteúdos e possibilidades, estamos absorvendo essas obras ou apenas dando check em nossas listas? Estamos dando atenção e acompanhando coisas relevantes ou apenas seguindo o hype coletivo, genérico e passageiro?

Tenho sentido um desgaste na maioria dos sites de cultura pop, que mais parecem paginas do falecido Ego. São todos muito semelhantes, cheio de fofocas, cenas irrelevantes de bastidores, criticas “panos quentes”, analises puramente comerciais, memes e hypes forçados. Um excesso que nos fazem enjoar de algumas produções antes mesmo das estreias. Faltam textos autorais, coberturas mais enxutas e profundidade nos temas.

É claro que a cobertura do mundo pop, por mais descolada que pareça, ainda é um negócio. Ainda existem regras e fórmulas a serem seguidas e as mesmas armadilhas de qualquer produto midiático. Os sites de cultura pop tem enfrentado o dilema que o jornalismo enfrenta há décadas: Prezar por noticias completas e precisas ou informações rápidas e genéricas?

Acredito que as discussões e noticias geradas encima dessa cultura que tanto amamos são uma extensão às obras. Mas com a quantidade de conteúdos e informações, nosso tempo ficou precioso demais para debater como o uniforme do herói não se parece com aquele quadrinho dos anos 60 que ninguém leu. Estamos a um passo da estagnação.

Quanto aos estúdios,
eles sabem o quanto estamos acomodados…

Essa semana, o diretor de Logan James Mangold declarou que detesta as famigeradas cenas pós-créditos, e apesar dos argumentos, o publico ficou emputecido. Esse episódio me lembrou a primeira vez que me questionei sobre o assunto:

Foi em 2017, lá estava eu na estréia de Guardiões da Galáxia 2 (que é um bom filme, não me levem a mal) no meio de todo aquele hype, das musicas, das piadas e suas CINCO cenas pós-créditos, que me veio o esclarecimento: Carai, eu sou um merda meu irmão! — São quase onze da noite, eu to de ônibus, no cu da cidade cinza, com uma vontade de mijar da porra e to aqui esperando ceninha pós-créditos! — Cenas essas que não acrescentam porra nenhuma ao filme, que no máximo são easter eggs ou fazem referencia para os próximos.

E o problema não são as pós-creditos, é a repetição de elementos que são interessantes, mas que foram usados a exaustão. Tem sido assim com os remakes, reboots, nostagismo barato e continuações desnecessárias. De novo, estagnação.

Também me dei conta de que — apesar amar a sétima arte — vi poucos filmes que não fossem blockbusters no cinema, e novamente, a industria sabe disso. Já reparou que nunca ficamos mais de um mês sem um blockbuster em cartaz? E que quaisquer outros filmes não tem chance nas bilheterias?

Isso acontece pois, a maioria das pessoas vão ao cinema em média, uma vez por mês. E para que esse seja um dinheiro bem gasto, geralmente vão com a maioria, seguem o hype (as vezes para se enquadrar na comunidade nerd ou pra fugir dos spoilers dos filmes grandes).  Não nos damos mais ao luxo de ser surpreendidos, deixamos outros filmes para depois e esse depois nunca chega,  já que esses filmes ficam em cartaz por pouco tempo. É assim até o próximo mês, o próximo blockbuster, seja ele do Michael Bay, da Marvel ou da DC.

Esse foi o raciocínio que me levou a repensar meu consumo sobre cinema e TV. Não deixei de ver os blockbusters, mas tenho dado mais chances as obras inovadoras, tentado refletir e absorver melhor o que assisto e conviver com a ideia de que é humanamente impossível acompanhar e me manter atualizado sobre tudo, sem tornar isso algo raso, superficial e desenfreado.

 

 

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