THE WIRE: 15 Anos de uma obra única

The Wire
HBO 2002 – 2008 (5 Temporadas) 
David Simon, Ed Bruns

Há quase 5 anos me tornei um fã de séries de TV, mas foi só agora, coincidentemente 15 anos após sua estreia que tive a decência de parar e assistir a The Wire. E mesmo ainda na segunda temporada, já posso afirmar que, dificilmente veremos algo parecido.

A trama não se resume em uma sinopse. É difícil ser descrita (para o meu desespero) e foge de qualquer padrão estabelecido pelas séries que conhecemos. Aqui não temos aquelas operações mirabolantes, os mocinhos com soluções fáceis e os vilões caricatos. The Wire é uma série policial onde a cidade é a grande protagonista. Onde o bem e o mal são conceitos relativos. Assim como os objetivos e motivações.

De um lado temos a polícia de Baltimore, com seus homens despreparados, falta de recursos e corrupção, lutando (ou não) contra o tráfico de drogas e a alta taxa de homicídios em uma das cidades mais violentas dos EUA (Isso até hoje). Somos jogados nos bastidores de um sistema falido e corrompido, tratando pessoas e crimes como números enquanto política e carreiras são construídas. Um sistema onde os poucos interessados em fazer um bom trabalho, devem lidar não só com os criminosos e a estrutura precária, mas desviar de egos inflados, pessoas influentes e superiores omissos.

Do outro lado, em contraste com a polícia cansada e seu caos burocrático, temos criminosos fortes, intocáveis e paranóicos, movimentando milhões com o tráfico de drogas nas periferias. Recrutando crianças e jovens excluídos que sonham em conquistar seu espaço no jogo, eliminando qualquer um que se oponha a esse poder paralelo e fazendo valer apenas as leis das ruas.

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The Wire e seu paralelo com o “jogo”

A obsessão de David Simon em retratar a realidade, fruto de sua carreira como jornalista, faz de The Wire uma das séries mais bem escritas que já vi. As sequências sem musicas de fundo, sem frases de efeito e as atuações que mesmo incríveis, não roubam a cena, trazem um ar de série documental. Os acontecimentos são independentes dos personagens e conflitos pessoais, deixando todo o protagonismo para Baltimore.

A mística envolvendo a produção também é algo interessante. A série, assim como Baltimore e seus personagens, é uma sobrevivente. Foram 5 temporadas, sem grandes prêmios, sem reconhecimento e alguns quase cancelamentos. Com uma porção de talentos revelados e uma porção maior ainda de grandes talentos esquecidos. Seu co-criador, Ed Bruns, era um ex-policial de Baltimore, assim como muitos dos atores, vindos de todos os lados do conflito.

The Wire é incomoda, é única. Não só por suas críticas sociais, seu clima pessimista e por nunca sabermos em quem confiar. Mas porque 15 anos depois ainda é real. Não é algo bonito, não é empolgante e nos mostra o quanto fazemos parte da mesma hipocrisia.

E uma década e meia depois, nenhuma outra série teve a coragem de nos contar algo da mesma forma que David Simon fez com The Wire. E se assim como eu, você é um fanático por séries, é mais que sua obrigação assisti-la. Mas saiba que não há lugar para heróis em Baltimore.

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